POLITICA

Adiamento das autarquias provoca fricção entre João Lourenço e Nandó

Publicado em: 21/09/2020 10:47:06
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As recentes declarações do Presidente da República, João Lourenço, sobre as razões que levaram ao adiamento das eleições autárquicas em Angola estarão a provocar uma fricção no Conselho da República, com o presidente da Assembleia Nacional a negar responsabilidades sobre o atraso à aprovação do pacote de leis.
A notícia é divulgada pela revista África Monitor Intelligence, da África Reporters, na sua edição número 1266, de 17 de Setembro de 2020, em que apresenta alguns dos argumentos que se poderão constituir na razão do adiamento das primeiras eleições autárquicas em Angola.

Na sua recente deslocação à província do Bié, o Presidente da República negou, durante uma conferência de Imprensa, que o adiamento das autárquicas, prevista inicialmente para 2020, tenha sido por falta de vontade do Executivo. João Lourenço justificou argumentando que a razão está relacionada com o facto de a Assembleia Nacional não ter aprovado todas as leis em falta do pacote legislativo sobre as eleições autárquicas, negando que a hipótese de que o adiamento do pleito seja por falta de vontade do Executivo.

Em reação, escreve a revista África Monitor Intelligence, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, nega a tal responsabilidade, tendo dito que o atraso se deve ao facto de o pacote de leis sobre as autarquias locais não ter sido entregue à casa das leis, quer por parte do governo ou do partido MPLA, em forma de proposta para discussão e aprovação, das restantes leis do pacote legislativo.

A situação é caracterizada como um reflexo das percepções internas, e de estar a causar perda de popularidade e de influências dentro do partido dos “camaradas”, pelo presidente João Lourenço, pois, segundo a revista, “até à emergência da covid-19, o regime vinha denotando ainda indefinição em relação às autarquias previstas para 2020: o MPLA mostrando-se a favor do adiamento; o governo, mais flexível, não recusando um adiamento, mas admitindo que o pleito tivesse lugar na data inicialmente anunciada”.

De acordo com aquela publicação, essa posição do MPLA deve-se ao facto de temer vir a “sofrer um revés eleitoral capaz de influenciar negativamente as eleições legislativas e presidenciais de 2022”, acrescentando ainda que a actual crise financeira que o país enfrenta desde 2014, era usada como um elemento chave para a justificação do adiamento das referidas eleições autárquicas.

Na sua edição nº 1266 de 17 de Setembro do corrente ano, a revista da África Reporters escreve ainda que no seio dos camaradas cresce uma onda de críticas, em círculos privados, contra JLO, visível pelo descontentamento entre a população, o desemprego, a degradação das condições de vida e o aumento da pobreza, considerados especialmente “penalizador” para o MPLA, dadas as suas responsabilidades de governo.

“Já antes da crise, o regime vinha denotando em relação ao assunto, alimenta em meios da oposição e da sociedade a ideia de que o regime tratou de evitar a realização das mesmas por falta de confiança e/ou insegurança num resultado satisfatório”, escreve a revista.

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Por: Redacão

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