ECONOMIA

Burla bilionária na Jefran: Quem protege Francisco Silva e a sua turma?

Publicado em: 18/09/2020 10:58:37
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Mais de 400 famílias angolanas acusam a empresa de construção e imobiliária JEFRAN, de incumprimento contratual e burla.

Por: Redacção

A empresa que constrói residências para venda na modalidade de renda resolúvel, assinou inúmeros contratos com cidadãos que terão pago a totalidade dos imoveis e noutros casos, sessenta porcento do valor total do imóvel, mas agora furta-se de proceder a sua entrega aos candidatos.

A história

Tudo começou em 2012 quando às primeiras famílias começaram a assinar contratos com a construtora Jefran, pagando as moradias na totalidade ou em 60 por cento, para receber as residências um anos depois.

No entanto, contam os lesados, a mesma empresa, afinal, estava a firmar contratos com o Ministério do Interior, com Valores subfacturados, que rondavam os quinze Mil Milhões, Noventa e Cinco Milhões, Oitocentos e Trinta e Quatro Mil e Duzentos e Cinquenta Kwanzas.

“O Contrato foi assinado por José Alexandre Manuel Canelas, em representação do ex-Ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, e tinha como objecto a construção de mil e duzentas casas tipologia T3, para os efectivos do Ministério do Interior, num prazo que não poderia exceder os 36 (trinta e seis) meses”.

De acordo com os visados, que acusam a empresa de direito angolano de deslealdade contratual, Francisco Silva preferiu prejudicar as mais de 400 famílias a favor do Ministério do Interior que pagava mais e a bruto, tendo disponibilizado parte das residências já concluídas.



De acordo com Nuno de Almeida, que falava a Angop, pagou quatro milhões de kwanzas em 2015, a empresa estava a tentar negociar a entrega de um espaço já alicerçado (com fundações), invés das habitações, reclamação sustentada por Elsa da Silva, que pagou, em 2015, nove milhões e 755 mil kwanzas, para receber a casa no período de três meses.

"Disseram-me que, por motivos de força maior, a minha casa teve de ser entregue a outra pessoa. Achei uma autêntica falta de respeito e já não preciso da casa. Preciso do meu valor devolvido, com juros, porque estou a pagar ao banco todos os meses", comentou.

Já Aznaide de Oliveira pagou 12 milhões de kwanzas, em 2015, para ter a casa em nove meses, tendo cumprido o contrato em cinco prestações. Depois de saber que a Jefran “está sem dinheiro” para continuar o projecto, disse esperar pela devolução do seu valor.

"Paguei um advogado, dei entrada do processo no tribunal, mas a Jefran ignorou o tribunal. Não respondeu a nenhuma carta que o tribunal enviou", contou.

Por sua vez, Pedro de morais pagou 80 mil dólares para obter uma residência num dos projectos da Jefran, em 2012, pelo que se juntou ao grito de repúdio contra a postura da Jefran.

"Na altura, estive mais próximo de ter uma casa. Mas em 2014, eles construíram uma casa de trás para frente e tiveram de partir a casa. Até agora estão remetidos num silêncio total, embora em tempos tenham tentado entregar-me caboucos, ao que não aceitei", exprimiu.

De igual modo, Benjamim Mendes disse ter pago mais de dois milhões kwanzas, para ter uma casa de tipologia T3. Dada a demora, pediu o reembolso, mas acabou por "receber um cheque sem cobertura".

Processos abafados, quem protege o FS

Durante muito tempo, Francisco Silva foi conotado como sendo o testa de ferro do antigo ministro do Interior, Ângelo Veiga, uma vez que todos os processos e denúncias que pesavam contra si terminavam em ‘banho maria’. Depois de centenas de denúncias públicas, manifestações e gritos de socorro, a verdade é que a justiça angolana continua a assistir a novela Jefran na poltrona.

INADEC “trava” tentativa de burla imobiliária da Jefran

O Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) apelou em tempos aos cidadãos a não aderirem aos projectos imobiliários da empresa Jefran, por esta estar a enfrentar um processo devido ao incumprimento contratual celebrado em 2012.
Por causa dessa atitude, o INADEC, em nota, dava a conhecer a aplicação de uma multa e a suspensão de toda a actividade económica da referida empresa, até um período de 12 meses.

O intocável

Por incrível que pareça, nem o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor conseguiu demover a Jefran destas práticas, porque dias depois da nota, como se de um braço de ferro se tratasse, Francisco Silva fazia sair um spot publicitário da referida empresa sobre produtos e serviços imobiliários supostamente pertencentes ao objecto do seu negócio, inclusive com exibição de um número de telefone para eventuais contactos, caso os consumidores manifestarem o seu interesse em aderir aos projectos.

Crise financeira e bla bla bla

Em Maio de 2019, o director da imobiliária Jefran, João Silva, apontou a situação económica que o país enfrenta como estando na base da não entrega, até ao momento, das residências aos mais de dois mil cidadãos que acusam a referida empresa de os ter defraudado no sonho da casa própria. Segundo o responsável, a sua instituição está a fazer tudo para honrar o compromisso que tem com os seus clientes, quer os que já efectuaram o pagamento na totalidade, bem como aqueles que assinaram contratos em situação de renda resolúvel, tendo pagado o valor inicial, avaliado em cerca de cinco milhões de Kwanzas. Neste momento, explicou, a empresa está a renegociar com os clientes, oferecendo novas opções de resolução deste conflito habitacional de modo a que o caso tenha um desfecho que venha a beneficiar as partes envolvidas.
Porém, frisou, todo este processo vai levar algum tempo para ser concluído, por estar a depender do “restabelecimento financeiro” que o país está a viver.

Reincidente

Não é a primeira vez que a empresa é acusada de burla. Recentemente, uma cidadã acusou a Jefran de ser desonesta e incumpridora dos termos estabelecidos no seu contrato promessa para a compra de residências no condomínio Vila Jordan.



Em 2018, por exemplo, num encontro entre o INADEC e os lesados, ficou confirmado que são mais de 500 pessoas burladas pela Jefran, além de que havia diferentes tipos de reclamação, desde a falta de contratos à não cedência de casas depois do pagamento do valor das moradias prometidas pela Jefran. Há também litígio em virtude de ter sido vendida, por exemplo, uma moradia a três pessoas.
Um dos lesados é a cidadã Madalena António, que aderiu ao projecto em Agosto de 2015, ano em que escolheu uma casa T3 para ser comprada através do sistema de renda resolúvel, tendo desembolsado, como primeiro sinal, um milhão e quinhentos mil kwanzas, o que correspondia a 10 por cento do valor da casa.
Madalena António informou ao JA que, quando fez o contrato, ficou estipulado que deveria pagar mensalmente pela renda resolúvel 75 mil kwanzas, valor que, meses depois, subiu para 100 mil, sem ter sido avisada previamente. A lesada disse ter já dado à construtora Jefran dois milhões e setecentos mil kwanzas e, até ao momento, embora tenha contrato, ainda não conseguiu concretizar o sonho da casa própria, daí ter tomado a decisão de receber os valores, porque “a empresa não é séria”.

Quem é Francisco da Silva

Nasceu em Malanje, em 1978, É o segundo filho de nove irmãos, dono da Jefran (acrónimo de Jesus e Francisco), a clínica Anjos da Guarda e diz ser proprietário de mais de 50 condomínios.

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Por: Redacão

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